Excalibur: A Risada era a Lei – Chris Claremont

Na  minha opinião, um dos melhores spin-off dos X-Men, Excalibur era uma equipe de heróis mutantes com base no Reino Unido, que utilizava muitos dos elementos criados por Alan Moore em sua passagem pelo Capitão Bretanha.

O Excalibur: Noturno, Lince Negra, Capitão bretanha, Meggan e Fênix.

O Excalibur: Noturno, Lince Negra, Capitão bretanha, Meggan e Fênix.

Na verdade, o Capitão Bretanha não foi criado por Alan Moore, mas sim por Chris Claremont (um dos criadores do Excalibur) e Herb Trimpe, em 1976. Anos depois, é que Alan Moore, em parceria com Alan Davis (outro criador do Excalibur) iria redefinir o personagem com a sua velha estratégia “tudo o que o personagem sabia sobre mesmo era uma mentira”. Assim foram desenvolvidos personagens como Mad Jim Jaspers, Opal Saturnyne, a Fúria e a Tropa dos Capitães Bretanha, bem como o Omniverso (Otherworld), agora chamado de Extramundo e a definição da terra do Universo Marvel como Terra 616.

Graphic Globo #8 - Excalibur: The Swors is Draw

Graphic Globo #8 – Excalibur: The Sword is Drawn

Todos estes conceitos foram reutilizados quando Chris Clarimont e Alan Davis reuniram-se para criar o Excalibur em Excalibur Special: The Sword is Drawn, de 1987 (no Brasil, Graphic Globo #8). A origem da equipe vem das consequências da saga Massacre de Mutantes, a primeira megassaga dos X-Men. Noturno e Lince Negra estavam na Ilha Muir, na Escócia, recuperando-se de seus ferimentos. Megan, uma transmorfa Elemental, o Capitão Bretanha e os heróis mutantes foram atraídos pela Fênix Rachel Summers, que acabava de retornar do mundo de Mojo (essa história da Fênix no Mojoverso, planejada para ser uma minissérie, nunca foi publicada). Os heróis combatem a Technet, piratas extradimensionais e acabam reunidos pelas bênçãos de Merlin, o mago que deu poderes ao Capitão.

Se o background dos personagens pode parecer complicado à primeira vista, este não era o objetivo da série. Nas histórias do Excalibur, encontramos um relacionamento entre os heróis muito bem desenvolvido. O grande elo de amizade entre Kitty Pryde e Rachel Summers, a tensão amorosa entre Notuno, Meggan e o Capitão Bretanha. As ações descabidas do dragãozinho de estimação de Kitty, Lockheed e o instável Microportal que viria a se juntar aos heróis no primeiro número da sua serei regular, em 1988. Também haviam os coadjuvantes: a Coronel Alisande Stuart e o nerd Alistayre Stuart, irmãos, claro.

Pinto Duro: Eu Ovo e Obedeço

Pinto Duro: Eu Ovo e Obedeço

Mas, como o título do post já diz, o que fazia das histórias do Excalibur acessíveis e interessantes era o humor. Para se ter uma ideia, a primeira história do grupo que eu li se chamava “Eu Ovo e Obedeço”, em que o grupo encontrava um ovo que era deixado na porta de seu farol (Sim! A base deles era um farol que existia em todas as realidades alternativas! Tem como ser mais legal?). O ovo era levado para dentro de casa, racha, e de dentro dele sai o Pinto Duro (!), uma bomba-relógio preparada por Pennettra e sua Technet para explodir o Excalibur. Mas como o Excalibur iria se livrar de uma coisinha tão fofa com um relógio analógico na barriga?

A diversão não parava por aí. As viagens do grupo pelas dimensões também mostravam alternativas dos próprios heróis, como suas versões lagarto, ou sua versão nazista, ou a versão em que a Inglaterra continua na Idade Média e o príncipe Billy não quer assumir o trono. Isso sem falar em encontros com uma família de dinossauros que visita o farol do Excalibur em uma viagem turística, as confusões entre Saturnyne e a Srta. Ross, sua contraparte na Terra 616, o criminoso Raposa que era transformado em mulher, os lobisomens guerreiros disfarçados de X-Men e a época em que o mundo se esqueceu da existência de Kitty Pryde e ela passou a viver num colégio interno.

Tudo isso era coatoria de Chris Claremont e Alan Davis, que aproveitar e aproveitaram os elementos de Moore, mas numa vibe mais leve, mais alegre e que não levava nada a sério. Tudo era surrreal e nonsense. Mas Claremont teve que se afastar dos roteiros e essa função ficou a cargo de Alan Davis, que também continuaria na arte.

CONTINUA…

Esta é A FÚRIA!!!

Um chá com a Marvel UK (7 de 12)

The Daredevils: além de Demolidor e Homem-Aranha, trazi o Capitão Bretanha de Alan Davis!

The Daredevils: além de Demolidor e Homem-Aranha, trazia o Capitão Bretanha de Alan Davis!

Quando Alan Moore assumiu o título do Capitão Bretanha passou a botar em prática a fórmula mooriana para personagens de séries contínuas: tudo que o protagonista sabia sobre si mesmo até então, era uma mentira. Nesse processo, o parceiro do capitão, o elfo Jackdaw morreu, e Braddock é apresentado à uma realidade alternativa governada pelo déspota Mad Jim Jaspers e passa a ser perseguido pela Fúria (que reapareceu recentemente durante a fase de Chris Claremont em Uncanny X-Men). Enquanto luta com o inimigo o Capitão acaba libertando Lady Saturnyne, guardiã do Ominiverso. Aqui Moore cria uma das pedras fundamentais do Universo Marvel: a relação dos heróis com realidades alternativas: não existe apenas uma versão da Terra, mas um universo recheado de ominirealidades, onde existem diversas versões de Capitães Bretanhas (o mesmo vale para outros super-heróis), que sob o comando de Saturnyne e Roma se chamariam de Tropa de Capitães Bretanhas (uma homenagem do barbudão à Tropa dos Lanternas Verdes).

Esta é A FÚRIA!!!

Esta é A FÚRIA!!!

 

A Terra que acompanhamos os heróis da Marvel não se chamaria Terra-1, demonstrando um certo pensamento medieval de que tudo gerava ao redor de nosso umbigo, mas Terra-616. Uma a mais dentre as outras. Dizem os boatos que Moore teria escolhido este número porque se referia à data de criação da Marvel, 61-6, junho de 1961, mês de lançamento de Fantastic Four #1. Através dessa manobra, Moore estabeleceu uma certa lógica para o universo da editora de Stan Lee, coisa que a DC Comics sempre buscou nas suas crises infinitas. Dessa maneira, no universo Marvel, basta admitir que existem múltiplas possibilidades de versões de Terras e de super-heróis, enquanto que a DC suprime e reintroduz seu multiverso. As realidades alternativas da Marvel seriam mais desenvolvidas com o passar dos anos em séries como Excalibur e Exilados.